Em Nome Próprio - O Choque de Monchique


Autor: Patrícia Baptista; Categoria: Crónicas; Tags: Incêndios, Idioma: Português; Data: 18-08-2018 às 21:40



E pronto, aí está, Portugal com um incêndio de grandes dimensões e intensidade, descontrolado e destruidor.
Estiveram 1400 pessoas no combate, fora as da logística e coordenação, muitos meios terrestres e aéreos. Podíamos dizer que necessitámos mais de homens, de mais carros de combate, de mais aviões, helicópteros. Podíamos até rezar por um Tsunami no Algarve, mas se as operações não forem bem organizadas a nível de estratégia e de técnica, se não forem bem coordenadas e executadas, então podemos ter todos os meios humanos, veículos, máquinas e aeronaves, que nada resulta.
Eu não entendo nada da dinâmica dos incêndios nem do seu combate, mas sei ver que tudo falha ao nível da prevenção, que é a forma mais eficaz de combater a época de incêndios. Este ano foi editado um estudo científico, penso que da Universidade de Coimbra, onde apontavam Monchique como a área mais problemática. Onde está então a prevenção? O que foi feito? Andamos a eleger governantes, autarcas, todos, para não fazerem nada para defender a vida dos Portugueses? Sim, a vida, a integridade física, os seus bens, as suas memórias e património. Nada disto se substitui cegamente. Se a minha casa arder quem substitui fotos de família e amigos, da infância, bilhetes e cartas de amor, bilhetes de concertos onde fui, de jogos de futebol, autografados. Objetos de quem já não está entre nós, que me foram deixados. Objetos com significado que quero guardar até sair deste mundo, nada disto se substitui. Uma casa ardida leva o nosso passado, a nossa história. Um incêndio leva a nossa paisagem, a linda paisagem portuguesa. E os governantes dizem-me que nada disto importa e que preferem correr atrás do prejuízo com displicência e improviso.

Na sexta-feira vi na tv um senhor da proteção civil dizendo que estavam a atuar, no teatro de operações, os meios mais do que necessários para a extinção deste incêndio. E disse-o com alguma arrogância. E eu pensei, na altura: “Espero bem que não engula as palavras”. E está à vista o resultado. Casas ardidas, animais queimados vivos, pessoas feridas, árvores queimadas e a natureza destruída. Dá-me vontade de ir à Assembleia da Républica e gritar: “Resolvam!”. Se o meu trabalho é descontar nos impostos, o deles é resolver e proteger a minha vida e os meus bens. Não quero nem admito que este cenário se repita todos os anos. Se sabem que lidamos com temperaturas altíssimas, sabem que lidamos com um interior desertificado, sabem que lidamos com falta de conhecimento técnico, RESOLVAM! Foi um choque ver o que se passou com Monchique, quando tínhamos o exemplo tão recente de Pedrógão, quando tínhamos um relatório. É chocante que tenham deixado este incêndio tomar estas proporções, nunca adequado a resposta. Sejam inteligentes e diligentes, usem a ciência, usem os nossos recursos humanos, científicos, naturais. Chega de estarmos reféns de incompetentes vaidosos e com os seus interesses virados para o seu próprio bolso. Quem vai para a frente de um país vai por amor a este, para o servir, não para se servir do país.


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