Driblando Limites: Relacionamentos à distância: Problema ou solução?


Autor: Wanessa Silva; Categoria: Crónicas; Tags: Cegueira, Idioma: Português; Data: 07-12-2017 às 19:45



Hoje em dia, com o adivento das tecnologias, tudo ficou mais fácil. Há aplicativos para praticamente tudo neste mundo, inclusive para se arranjar namorado(a). Os relacionamentos ficaram mais fáceis pelas redes sociais e apps de namoro como o tinder e outros. Com tanta facilidade, as relações também foram ficando descartáveis. As pessoas se conhecem, ficam e depois se jogam fora como se fossem lixo. Claro que há as excessões, mas são bem excessões mesmo... As pessoas não estão afim de se apegar, ter um relacionamento sério, namorar, noivar, casar como era antigamente, a maioria só quer curtir o momento.

E com os indivíduos com deficiência não é diferente, já existe até site de relacionamento exclusivo para pessoas com deficiência... Muitos indivíduos, por ficarem isolados em casa, sem muito contato real com outras pessoas, acabam se relacionando pela internet, através de grupos nas redes sociais e apps de relacionamento. Conversa vai, conversa vem, de repente a pessoa se pega apaixonada e disposta a fazer tudo pelo outro sem nem tê-lo conhecido pessoalmente. Isso acontece na maioria das vezes por carência, por não ter com quem conversar, desabafar seus sentimentos, então muitas vezes nessas relações, os indivíduos caem numa cilada. A premissa de qualquer relacionamento, seja à distância ou não, é a confiança e transparência, mas muita gente não tem uma nem outra, e acaba por fazer sofrer a pessoa com quem está se relacionando. E pela internet é muito difícil cobrar confiança e transparência da pessoa, pois ela pode estar mentindo, não é? Assim, insegurança e ciúme fazem parte desse tipo de relação, já que não se sabe com certeza o que o outro está fazendo.

Muitas pessoas com deficiência conseguem se relacionar sem problemas com outras pessoas tendo alguma deficiência ou não, mas outtras tantas são discriminadas ao revelar sua deficiência para a pessoa com quem se relaciona na internet. Tem gente que não se importa com a deficiência da pessoa com quem está se relacionando, mas a maioria desiste do relacionamento pelo fato da pessoa ter uma limitação. Isso é triste. Por isso, muitas vezes estas pessoas não abrem logo o jogo para não assustar o outro para que ele não perca o interesse. Neste caso, a internet ajuda muito eliminando aquele impacto inicial ao se conhecer alguém com deficiência. Sem estarem frente a frente, as pessoas se encorajam e conseguem falar mais de si, da sua vida, dos seus gostos, seus medos, desejos, etc. A família das pessoas com alguma incapacidade também dificulta muito as relações com uma super-proteção exagerada, por medo de ver o filho(a) sofrer, impede que eles se relacionem e tenham um companheiro(a). Isso também faz com que os indivíduos busquem por relacionamentos pela internet, pois assim, os pais não ficam sabendo e não atrapalham a relação. A família tem que entender que pessoas com deficiência também amam, sofrem, sentem desejo, podem namorar, casar, ter filhos como qualquer outra pessoa, e não é impedindo que elas se relacionem que vão deixar de fazê-lo. O melhor é apoiar e orientar para que a relação ocorra da melhor maneira possível. Mas nesse tipo de relação à distância, as pessoas, sobretudo com deficiência, precisam tomar muito cuidado para não cair em armadilhas e em falsas ilusões. Só aceitar um relacionamento sério se a outra pessoa também estiver disposta a isso, se conhecerem pessoalmente, se apresentarem às famílias, etc... E mesmo tomando todos esses cuidados ainda correm o risco de sofrerem... Faz parte...


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