David Bowie, Chester Benington (vocalista dos Linkin Park), Malcolm Young (guitarrista dos ACDC), Demis Roussos, Prince, George Michael, Christina Grimmie, Pete Burns (vocalista dos Dead or Alive), Leonard Cohen... e mais recentemente Zé Pedro, guitarrista e um dos fundadores dos Xutos e Pontapés. Sim, eu não me esqueci do Black, cantor de Wonderful Life, mas que praticamente só teve esse êxito.
Não eram todos senhores na casa dos 80 ou 70. Se bem que Fats Domino (89), Leonard Cohen (82), Al Jarreau (76), Jerry Adriani (70), Demis Roussos e Michel Delpech (69), ou Rick Parfitt (guitarrista dos Status Quo) com 68 sim, ou praticamente.
Mas Tom Petty, por exemplo, tinha 66, Zé Pedro tinha 61 anos. Prince, Chuck Mosley (em tempos vocalista dos Faith No More) ou Pete Burns, tinham 57. Black e George Michael tinham 53, Chris Cornell 52, Chester Benington 41 e Christina Grimmie tinha 22.
Muitos foram os que marcaram a década de 80. Uns porque vindos da de 70 ali se consagraram, outros porque nascidos naquela década transitaram para a seguinte, aquela em que eu nasci e da qual me lembro por a ter vivido.
Mas com artistas tão artistas a morrer a esta velocidade, começa-me a preocupar o estado a que chegará a nossa música.
Hoje temos imensos musiquistas que dão espetáculos visuais e vendem discos, colecionam plays e visualizações nos serviços de streaming, e vendem música processada a baixo preço. Sim, também há grandes artistas, que escrevem ótimas letras, que conseguem ter uma banda a tocar para eles e que cantam. Alguns apenas tocam, outros apenas escrevem, mas fazem arte na função que ocupam.
São cada vez menos. As pessoas podem não gostar de rock - eu fui e ainda quase sou uma dessas pessoas - mas é quase consensual que os Scorpions, The Clash, Avenged Sevenfold, Gunz N Roses, Xutos e Pontapés faziam trabalhos de arrepiar, sobretudo ao vivo, com guitarradas de fazer extremecer até a célula mais recôndita do nosso corpo. Ou baladas de fazer parar o que estávamos a fazer, ou chorar até, como as feitas por Demis Roussos. Letras intrigantes ou envolventes como as de George Michael, dentro e fora dos Wham!...
Quem lhes sucede agora? Ainda temos alguns como a Adele lá fora, Luísa Sobral e Carolina Deslandes cá, e alguns outros projetos portugueses que estão a asfixiar porque saíram demasiado do "comercial", ficando-se apenas pelo "comercializável". Temos muitos, mas o público de um modo geral não lhes dá atenção. Nacionais e internacionais. Tínhamos a Christina Grimmie que foi assassinada a 11 de Junho de 2016 depois de um concerto por um "fã".
Antes estes artistas faziam sucesso, e se virem, mesmo os que faleceram há pouco tempo (exceção feita para David Bowie), já não tinham o mesmo êxito de outros tempos. Xutos e Pontapés tinham? Acho que quem responder que sim tem, norma, menos de 25 anos, e não faz ideia a que altura me refiro. À década de 80 e de 90 os Xutos e Pontapés eram um ícone. Em 2015 lançaram um álbum de originais e maior parte das pessoas não sabe.
George Michael era conhecido por um tema que ainda foi gravado com os Wham!. Mas ele teve inúmeros número 1 nos anos 80 e 90. Lembro-me do Outsider de 1999, Faith, Freedom, e um tema que gravou em dueto com a Whitney Ouston que era um original do Stevie Wonder.
O que vos quero dizer é: antes um single destes artistas era atenção da mídia, do público, era muito provavelmente um êxito, e não de espantar, um número 1. Tínhamos Beastie Boys ou Red Hot Chillie Peppers a competir pelo mesmo número 1 com Christina Aguilera, Prince ou Mariah Carey. Hoje o número 1 é o Puntcha Puntcha, ou os fogos de artifício (citando Salvador Sobral) e só mais exporadicamente é que temos um artista a roubar o primeiro posto a um musiquista.

É urgente que se criem artistas - e eu tenho esperança nisso - porque por este caminho em 2020 já só temos, de qualidade, passado para ouvir.


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