Em Nome Próprio - Tick-tack... Tick-tack...


Autor: Patrícia Baptista, Categoria: Crónicas, Em Nome Próprio; Idioma: Português; Data: 10-10-2017 às 13:00

Já conhecemos de gingeira a frase: “A idade não perdoa”, mas há uma fase, a dos 40 anos em que temos uma desculpa para todos os sinais e maleitas que nos aparecem. Rugas? Não, isto são de expressão, são apenas umas linhas, eu sou muito expressiva. Quando acordamos de manhã e as articulações começam a ranger como um portão velho de uma quinta abandonada, achamos que ou é da humidade, ou é do calor, ou é do tempo seco, ou é do frio, enfim, é do tempo. Do tempo não, bolas, é das condições atmosféricas! Passamos pelo espelho do wc e vemos que a nossa cara parece uma bota velha da tropa, resolvemos fazer um peeling de pobre, vulgo rabo-de-cavalo. A coisa melhora um pouco. Não que seja preciso, mas usamos sempre o mais recente creme anti-rugas, apenas como precaução, claro. Antes de aplicar a maquilhagem (sim, eu ainda digo e escrevo maquilhagem!) passamos um betume, desculpem, uma base, não que seja preciso, mas apenas para uniformizar o grão da pele. (seja lá o que isso queira dizer!). Todos os dias vamos ao youtube ver as últimas novidades de makeup, os últimos e inovadores e até revolucionários produtos que operam, prometem as marcas, milagres! Não que seja preciso, já disse isto? Quem não passou já uma tarde a ver tutoriais de maquilhagem, que mais parece caracterização? E ver aquelas gaiatas de 16 anos, como autênticas profissionais da maquilhagem, fazem uma transformação em 10 minutos que até parece fácil. Eu ainda hoje não acerto com o eyeliner! E tenho o dom de ter ataques de espirros mal acabo de colocar o rímel!
Mas mesmo quem vai aos extremos e se submete a intervenções cirúrgicas escapa à ditadura do tempo. Ficam melhores, lá isso ficam, mas parecem sempre a idade que têm, ou alguém dá 30 anos à Madonna? É mais produtivo trabalhar no sentido de aceitar as consequências da idade, o aspeto, as doenças, as limitações, isso será inevitável, portanto aceitem de uma vez.
Até a nossa mentalidade começa a mudar, ficamos mais tolerantes e pacientes numas coisas e mais intolerantes e impacientes com outras, tais como a mesquilhez e a estupidez, próprias e alheias.

O que mais me marcou a nível de estar a envelhecer foi o ter perdido a noção de que era imortal e que as tardes de Verão são infinitas. Estou a pouco mais de um ano para entrar nos 50, não sei se algo irá mudar, mas sinto que irei entrar em contagem decrescente, como sou fumadora será uma sorte se viver mais 20 anos. 20 anos.. 20 anos passam a correr!


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